Luiz Vaz de Camões - Poema

Descalça vai para a fonte







Descalça vai para a fonte
Lianor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.

Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamelote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa e não segura.

Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entrançado
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa e não segura.

Imagem retirada da Internet: descalça



Francisco Perna Filho - Poema


Conhecimento natural



  
O que sabe da pedra,
a flor, para ignorá-la?
Desconhece a solidez de sua estrutura,
a sua natureza de rocha,
para brotar destemidamente nas brechas
do asfalto,
nas sacadas de prédios,
desafiando o concreto,
concretizando seu sonho
- o de ser flor, simplesmente flor,
sem compreender a dureza do que lhe é exterior.

O que sabe da flor,
a pedra, para deixá-la brotar no seu corpo,
enraizar-se nas suas fendas,
protegê-la de sua dureza,
de sua empedernida existência?

O que sabe da flor e da pedra,
o homem, para levá-las consigo
no seu momento de espanto,
em pensamentos e encanto?

O que sabe da flor, da pedra, e do homem,
o poeta, para eternizá-los nos seus versos,
a despeito dos outros homens com suas vaidades
e desprezo:
pela flor,
pela pedra,
pelo homem.


Imagem retirada da Internet: flor na pedra

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