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Sharbat Gula

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Apresento um poema inédito, feito há pouco, a propósito da notícia de que Sharbat Gula, que se eternizara nas lentes do fotógrafo Steve McCurry, na capa da National Geographic, fora detida, nesta quarta feira, no Paquistão, sob alegação de estar usando documentos falsos. Se condenada, poderá pegar de sete a quatorze anos de prisão. Aos 12 anos, Sharbat Gula tivera a alma roubada e impressa em papel fotográfico [na prensa do mundo. Tornara-se famosa, cultuada, cultivada nas paredes de ricos escritórios e apartamentos, enquanto quedava sobrevivente em um campo de refugiados na cidade de Peshawar, no Paquistão. 17 anos depois, já com 30 anos, desta vez no Afeganistão, fora mais uma vez fotografada por Steve McCurry, que lhe falara da fama, do mundo, mas nada lhe dera, e, mais uma vez, nada lhe prometera, levando consigo a imagem de uma alma dilacerada. Aos 46 anos, largada à própria sorte, autora de três filhos e refugiada em si mesma, Gula, agora, está só, como sempre estiver...

Seleta de Poemas - Cássia Fernandes

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Cássia Fernandes - Foto by Admilson Ferreira A  Revista Banzeiro  traz a Poesia de Cássia Fernandes (Lucivânia de Cássia Fernandes). Nascida em Pontalina - GO, muito cedo mudou-se para Goiânia, onde fez seus estudos: Jornalismo-UFG e Letras - PUC-GO. Foi professora na Rede Pública Municipal de Goiânia. Passado algum tempo, estudou Cinema na Faculdade Cambury - GO, o que a motivou  fundar a produtora audiovisual La Lumière. Bem lá atrás, aos 27 anos, Cássia Fernandes publicou o premiado romance Cartas que não te escrevi, que fez muito sucesso por aqui. Morou em Paris, voltou para Goiás, e, aqui, escreve(u) para o jornal o Popular e para o portal de notícias A Redação. Cassia é editora do blog Almofariz e mãe do Fernando. (Fonte Almofariz do Tempo) Foto by Juliana Corso Maçã Eu mordo essa maçã com raiva. Eu a trituro nervosamente com meus dentes afiados. Porque me ensinaram tudo errado. Ensinaram que ela é fruto de um tal pecado, que sou eu própria ess...

Especial Joaquim Cardozo

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JOAQUIM CARDOZO J oaquim Maria Moreira C ardozo nasceu no Recife, no dia 26 de Janeiro de 1897. Poeta, engenheiro, desenhista, topógrafo, dramaturgo, crítico de arte e historiador, só para ficarmos com um pouco da genialidade desse cidadão brasileiro do Recife. Foi responsável  direto pelo mapeamento de parte do litoral nordestino e  pelo cálculo estrutural de inúmeras obras da nossa arquitetura, mais precisamente pelas curvas de Brasília, dando sustentação ao Projeto Arquitetônico de Oscar Niemeyer. Quando jovem fez parte da boêmia recifense, ao lado de grandes personalidades da literatura e das artes em geral.  Em 1939, muda-se para o Rio de Janeiro e lá  convive com  Pedro Nava, Augusto Meyer, Lúcio Costa, Manuel Bandeira e tantos outros. Publicou o seu  primeiro livro Poemas , em 1947, aos 50 anos de Idade. Faleceu no dia 4 de novembro de 1978, em Olinda - PE.  Poemas (1947) Poesia da Presença Invisível Através do quadro inv...

Entrevista com Paulo Amarante

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A vastidão da experiência humana: de Quixote a  Bacamarte. A Revista Banzeiro republica esta excelente entrevista com Paulo Duarte de Carvalho Amarante , atualmente  presidente da Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme). Paulo Amarante é  Professor e Pesquisador Titular e Coordenador do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (LAPS) da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/FIOCRUZ).    C onsiderado um dos mais notáveis cientistas do país,  Paulo Amarante é capixaba, natural de Colatina. No Rio de Janeiro especializou-se em psiquiatria e se tornou um dos pioneiros do movimento brasileiro de reforma psiquiátrica. É Mestre em Medicina Social, Doutor em Saúde Pública, com Pós-doutorado em Imola (Italia). É Doutor Honoris causa da Universidade Popular das Madres da Plaza de Mayo;  autor e organizador de vários livros.  Nesta entrevista, concedida a Rosan...

Conto de James Frederico Rocha Coelho

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A Revista Banzeiro apresenta o conto Luzeiro , de James Frederico Rocha Coelho . Natural de Carolina – MA, James é formado em Letras e Direito. Em 1989, publicou o romance Quarto 16. O conto Luzeiro faz parte do livro Histórias Civilizadas. Goiânia: América, 2015. LUZEIRO Passados alguns dias das mortes e Poliana e Francisca, e estando eu revirando um copo de gim no terraço da casa de meus pais, purgando minhas dores enquanto a madrugada atravessava o casario do outro lado da rua, resolvi viajar no dia seguinte para qualquer lugar e ali esperar de alguma forma que o tempo aliviasse a grande ausência das duas, minha mulher e minha filha. No dia seguinte, conversando com meu pai, ele recomendou o Retiro, fazenda há algum tempo abandonada por força de uma disputa judicial. Não posso explicar a sugestão do meu pai, justo aquele lugar, mas talvez se devesse à estreita relação da família com aquele pedaço de terra. Quando crianças, passávamos ali nossas férias de f...