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Maurilio Tadeu de Campos - Crônica

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Elis, a estrela do Brasil “ Ah, como essa coisa é tão bonita / Ser cantora, ser artista / Isso tudo é muito bom...”                                                                                                                                      ( Joyce/Ana Terra) Sorriso nervoso de dentes pequenos, g...

Gerardo Mello Mourão - Poema

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 EVA Adormecera à beira do riacho e o sonho e a flor dessa maçã da primeira saudade - do primeiro desejo do mundo habitavam seu sono. Despertara - e dela despertaram um tato uns olhos um perfume - e o véu dos cabelos cobria ancas seios nunca vistos: Eva bailava sobre chão de folhas desde então desde sono e sonho se incorpora sempre ao homem sonhador o sortilégio da primeira mulher coisa e criatura e criadora de seus tatos seus aromas - aflição e festa de estrelas na pupila.                                            Copacabana - 29-7-98 Imagem retirada da Internet: Eva

Eugénio de Andrade - Poema

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Francisco de Goya "O Sono da razão produz monstros" (1797 Passamos pelas coisas sem as ver Passamos pelas coisas sem as ver, gastos, como animais envelhecidos: se alguém chama por nós não respondemos, se alguém nos pede amor não estremecemos, como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Rui Costa (1972 - 2012) - Poema

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Elegia Azul Clara, como talvez tu antes da última esquina da noite, uma imagem redonda colava-se aos meus dedos por entre as folhas de papel que lentamente ardiam. Foram sempre mais as páginas que juntei do que aquelas de que pude separar-me, naquele T1 pequeno com vista para Monsanto e para o teu corpo sempre azul. Infelizmente, não fora capaz de preparar o silêncio que sempre se segue a tudo o que não somos, dirias tu, o rumor de instantes que nos apanha na canga e nos sugere o vale sem luzes e a varanda grande. Parado sei que isso é poesia, um sonho, pequenas alucinações de primavera sem apelo no fundo destas veias e sei também que continuas a existir e vais ser minha muitas vezes, como eu quero ser teu intermitentemente em cada lua nossa. Mas tu sabes como os astros nos pregam partidas ao telefone, como em certos dias a pique para o sol embatem nas antenas, e este ligeiro pesadelo é apenas o desconforto baço de saber que há coisas demasiado belas para não se...

Antônio Cícero - Poema

GUARDAR Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la. Em cofre não se guarda coisa alguma. Em cofre perde-se a coisa à vista. Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado. Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é, estar por ela ou ser por ela. Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro Do que um pássaro sem vôos. Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica, por isso se declara e declama um poema: Para guardá-lo: Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda: Guarde o que quer que guarda um poema: Por isso o lance do poema: Por guardar-se o que se quer guardar. Imagem retiradada Internet: gavetas