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Alexei Bueno - Poema

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A Maja Desnuda- Goya VIDÊNCIA Se os nossos olhos te enxergassem, rosa, E não só: “É uma rosa” nos dissessem Na vulgar gradação que nunca esquecem, Que epifania na manhã tediosa! Se eles vissem, ao vê-la, cada coisa E não seu nome, se afinal pudessem Fugir da furna abstrata onde destecem A vida, um morto partiria a lousa Maciça de aqui estar. Flor, nuvem, muro, Árvore, que é uma só e não tal nome, Se tudo entrasse o corredor escuro Que há em nós, algo de exato se ergueria, Algo que para o tempo ou que o consome, Que alveja a noite e entenebrece o dia. In.  Em Sonho - 1999. Imagem retirada da Internet:  Rosa

Samanta Schweblin - Conto

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Parada en el medio de la ruta Felicidad ha creído ver, en el horizonte, el débil reflejo de las luces traseras del auto. Ahora, en la oscuridad cerrada del campo, sólo se distinguen la luna y su vestido de novia. Sentada sobre una piedra junto a la puerta del baño concluye que no tendría que haber tardado tanto. Desprende del tul algunos granos de arroz. Apenas puede adivinar el paisaje: el campo, la ruta y el baño.        Quiere llorar, pero todavía no puede. Corrige los pliegues del vestido, se mira las uñas, y contempla, cada tanto, la ruta por la que él se ha ido. Entonces algo sucede:        -No vuelven- dice una mujer.        Felicidad se asusta y grita. Por un segundo cree encontrarse frente a un fantasma. Intenta controlarse, pero el cuerpo no deja de temblarle. Mira a la mujer: nada parece sobresaltarla, tiene una expresión vieja y amarga, aunque conserva entre las arrugas grandes ojos claros y labios ...

Samanta Schweblin - Conto

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Pássaros na boca Desliguei a tevê e olhei pela janela. O carro de Silvia estava estacionado em frente à casa com o pisca-alerta ligado. Pensei se havia alguma possibilidade real de não atender, mas a campainha voltou a soar; ela sabia que eu estava em casa – fui até a porta e abri. - Silvia – disse. - Olá – disse ela, e entrou sem que eu chegasse a dizer nada. – Temos que conversar. Apontou o sofá e obedeci porque, às vezes, quando o passado bate à porta e me trata como há quatro anos, continuo sendo um imbecil. - Você não vai gostar. É… É forte – olhou o seu relógio – é sobre Sara. - Sempre é sobre Sara – disse. - Você vai dizer que exagero, que sou uma louca, tudo isso. Mas hoje não há tempo. Você tem que vir à minha casa agora mesmo. Tem que ver com seus próprios olhos. - O que houve? - Já disse a Sara que você iria. Ela está esperando. Ficamos em silêncio um momento. Pensei em qual seria o próximo passo, até que ela franziu o cenho, ...

Vera Lúcia de Oliveira - Poema

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SEMPRE fui sempre de percorrer na carne o puído dos vãos sempre de pôr o pé na intimidade das veias sempre de lavrar os dias mais ferozes para que doendo amansem a morte In. livro Entre as junturas dos ossos. Imagem retirada da Internet: mulher

Daniel Lima - Poema

Recife - Foto by Luiz Castro R ecife, primeira de todas as cidades e a última de todas, a mais persistente nas lembranças, a que mais teima em não ser esquecida. Recife, sofrida e linda, generosa e rebelde, que amas o mar que te agride e te beija nas pedras arrecifes, Recife que te banhas desacanhada e nua nas águas de teus rios por baixo de tuas pontes e te retorces nas estreitas ruas de teus bairros antigos, de assombrados sobrados e dormes serenamente nas areias das praias sonhando o teu futuro que o passado de lutas te promete. Oh! como é doce nascer em ti mas como custa viver em ti cidade contraditória e múltipla, cidade que misturas batalhas e folguedos, que enquanto te rebelas, bailarida e guerreira danças o frevo nas ruas e os maracatus. Moro em ti e tu demoras em mim, Recife ! Fonte: Letra&Leituras Imagem retirada da Internet: Recife