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Juan Ramón Jiménez - Poema

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PAVILHÃO Muros altos de teu corpo. Não havia entrada em teu horto. (Que onda de asas ascendia! Oh o que ali se passaria!) Céu claro ou turvo, que importa? Não havia entrada em tua glória. (Que aroma às vezes subia! Oh em teus vergéis que haveria?) Tornaste a ficar fechada. Não havia em tua alma entrada Imagem retirada da Internet:  Nu

Oliverio Girondo - Poema

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No soy quien escucha... No soy quien escucha ese trote llovido que atraviesa mis venas. No soy quien se pasa la lengua entre los labios, al sentir que la boca se me llena de arena. No soy quien espera, enredado en mis nervios, que las horas me acerquen el alivio del sueño, ni el que está con mis manos, de yeso enloquecido, mirando, entre mis huesos, las áridas paredes. No soy yo quien escribe estas palabras huérfanas. Imagem retirada da Internet: livro

Oliverio Girondo - Poema

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No se me importa un pito que las mujeres... No se me importa un pito que las mujeres tengan los senos como magnolias o como pasas de higo; un cutis de durazno o de papel de lija. Le doy una importancia igual a cero, al hecho de que amanezcan con un aliento afrodisíaco o con un aliento insecticida. Soy perfectamente capaz de sorportarles una nariz que sacaría el primer premio en una exposición de zanahorias; ¡pero eso sí! -y en esto soy irreductible- no les perdono, bajo ningún pretexto, que no sepan volar. Si no saben volar ¡pierden el tiempo las que pretendan seducirme! Ésta fue -y no otra- la razón de que me enamorase, tan locamente, de María Luisa. ¿Qué me importaban sus labios por entregas y sus encelos sulfurosos? ¿Qué me importaban sus extremidades de palmípedo y sus miradas de pronóstico reservado? ¡María Luisa era una verdadera pluma! Desde el amanecer volaba del dormitorio a la cocina, volaba del comedor a la despensa. Volando me preparaba el baño, ...

Raul de Leôni - Poema

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Canção de todos Duas almas deves ter... É um conselho dos mais sábios; Uma, no fundo do Ser, Outra, boiando nos lábios! Uma, para os circunstantes, Solta nas palavras nuas Que inutilmente proferes, Entre sorrisos e acenos: A alma volúvel da ruas, Que a gente mostra aos passantes, Larga nas mãos das mulheres, Agita nos torvelinhos, Distribui pelos caminhos E gasta sem mais nem menos, Nas estradas erradias, Pelas horas, pelos dias... Alma anônima e usual, Longe do Bem e do Mal, Que não é má nem é boa, Mas, simplesmente, ilusória, Ágil, sutil, diluída, Moeda falsa da Vida, Que vale só porque soa, Que compra os homens e a glória E a vaidade que reboa Alma que se enche e transborda, Que não tem porquê nem quando, Que não pensa e não recorda, Não ama, não crê, não sente, Mas vai vivendo e passando No turbilhão da torrente, Través intrincadas teias, Sem prazeres e sem mágoas. Fugitiva como as águas, Ingrata como as areias. Alma que passa entre...

Raul de Leôni - Poema

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Ciganos Lá vêm os saltimbancos, às dezenas Levantando a poeira das estradas. Vêm gemendo bizarras cantilenas, No tumulto das danças agitadas. Vêm num rancho faminto e libertino, Almas estranhas, seres erradios, Que tem na vida um único destino, O Destino das aves e dos rios. Ir mundo a mundo é o único programa, A disciplina única do bando; O cigano não crê, erra, não ama, Se sofre, a sua dor chora cantando. Nunca pararam desde que nasceram. São da Espanha, da Pérsia ou da Tartária? Eles mesmos não sabem; esqueceram A sua antiga pátria originária... Quando passam, aldeias, vilarinhos Maldizem suas almas indefesas, E a alegria que espalham nos caminhos É talvez um excesso de tristezas... Quando acampam de noite, é no relento, Que vão sonhar seu Sonho aventureiro; Seu teto é o vácuo azul do Firmamento, Lar? o lar do cigano é o mundo inteiro. Às vezes, em vigílias ambulantes, A noite em fora, entre canções dalmatas, Vão seguindo ao luar, vão deli...

Mécia Rodrigues - Ensaio Poético

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La Bohème para Egle Gruppi Turini, minha avó Alguma coisa lírica soou na minha memória, quando entrei na Barão de Itapetininga, em meio à profusão dos pisca-piscas, à polifonia própria de dezembro e à infinita variedade de quinquilharias pelas vitrinas úmidas e garoentas. As palmeiras do Vale, a enorme árvore de natal ali montada, o Theatro Municipal. 2 Sabonetes em formato de noz. Da Kanitz. Havia as caixas grandes, com três, e a pequenas, com um. As caixas verde-claro, enfeitadas com papel transparente picado. No meio dele se acomodavam as nozes-sabonetes. E também havia as caixas de talco, de madrepérola, com esponjas tão leves que pareciam flutuar. E os chocolates da Kopenhagen. 3 O circo de Moscou, os doces sírios da ladeira Porto Geral, Os três mosqueteiros, O cavaleiro da máscara de ferro, Miguel Strogoff. As fotonovelas dos dias chuvosos, quando a máquina de costura deixava de ser pedalada. A caneta preta, de pena de irídio, do meu avô. 4 Subi até a Sete de Abril e...

Nelson Ascher - Poema

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Hölderlin para Antonio Medina Rodrigues Luz não se vê tão límpida quanto, inundando a casa, aquela que extravasa fugaz de qualquer lâmpada que, de repente, exalte- -se e atinja, por um átimo, à beira do blecaute mais último, seu ótimo. Cega ao fulgor, a orelha talvez capte de esguelha um ultra-som que, esgar- çador como um lamento, provém do filamento no afã de se queimar.   Imagem retirada da Internet: filamento In. Jornal de Poesia