Canção de todos Duas almas deves ter... É um conselho dos mais sábios; Uma, no fundo do Ser, Outra, boiando nos lábios! Uma, para os circunstantes, Solta nas palavras nuas Que inutilmente proferes, Entre sorrisos e acenos: A alma volúvel da ruas, Que a gente mostra aos passantes, Larga nas mãos das mulheres, Agita nos torvelinhos, Distribui pelos caminhos E gasta sem mais nem menos, Nas estradas erradias, Pelas horas, pelos dias... Alma anônima e usual, Longe do Bem e do Mal, Que não é má nem é boa, Mas, simplesmente, ilusória, Ágil, sutil, diluída, Moeda falsa da Vida, Que vale só porque soa, Que compra os homens e a glória E a vaidade que reboa Alma que se enche e transborda, Que não tem porquê nem quando, Que não pensa e não recorda, Não ama, não crê, não sente, Mas vai vivendo e passando No turbilhão da torrente, Través intrincadas teias, Sem prazeres e sem mágoas. Fugitiva como as águas, Ingrata como as areias. Alma que passa entre...