CONTO - ÚLTIMAS PALAVRAS
Francisco Perna Filho Já passava das 9h, subitamente fora acordado pelo barulho do despertador, levantou-se de sobressalto e olhou apressadamente para o relógio no criado da cama. Era preciso correr, não tinha muito tempo. Olhou-se no espelho da sala, vira um rosto amassado pela longa noite de sono. A barba por fazer, não ficaria bem ir assim. Abriu o armário do banheiro, pegou uma gilete, creme de barbear, tudo muito corrido, tudo muito depressa, tudo muito preciso. Era preciso acelerar, o carro cantou pneu, saiu em disparada. Nada poderia detê-lo, não fossem os sinais que sucessivamente iam se fechando. Conspiração! Pensou. Não adiantava impacientar-se, mas impacientou-se. Esmurrou o volante, saltitou no banco do carro. Ensaiou, numa sequência rápida, engatar todas as marchas, mas nada. O carro permanecia imóvel, apesar de bufar pelas aceleradas do seu condutor. O homem, a máquina e o sinal. Lembrou-se do que lhe dissera a viúva, logo após ficar sabendo do ...