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Mostrando postagens de setembro, 2012

Silvio do Rosário Curado Fleury - Poema

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Foto by Denise de Almeida As Chuvas Rolam turvos os trovões estrondando, longos, arrastados, grossos, trovejando e na face turva das nuvens, amontadas, de bordas esfiapadas que sobre o horizonte se penduram pesadas estremeavam os relampejos em fulgurações amedrontadas e ora são riscos em fogo traçados, depois são trêmulas piscadas de enorme olho que se entreabre abrasado e vezes são medrosos clarões em distantes e tímidas verberações. A natureza espera ansiosa castigada pela sede que a ressaca; gritam as cigarras impertinentes quais fossem vozes de desesperação na monótona e metálica repetição; Os sapos espocaem repetindo, sem cansaço, as deprecações roucas. Pelos dias afora cantaram os guasóis insistentes, os itapicurús em voos pesados remontaram os rios ressecados grasnando estridentes, ou ralos banharam na morna areia, as galinhas se aninharam na poeira, os gatos lavaram-se com as patas macias as vozes da cachoeira até nos longes se anunciam...

Cecília Meireles - Poema

Fio No fio da respiração, rola a minha vida monótona, rola o peso do meu coração. Tu não vês o jogo perdendo-se como as palavras de uma canção. Passas longe, entre nuvens rápidas, com tantas estrelas na mão... — Para que serve o fio trêmulo em que rola o meu coração?