terça-feira, 4 de setembro de 2012

Michel Deguy - Poema

 
O metrônomo

Quem bate
Uma frase de língua
Ao vento do jogo

Neuma do metro
O balancim confia
O tempo à dicção

Ritmo limiar é preciso
Que uma porta de palavras
seja aberta e fechada

Longa breve e pausa
O tempo passa
Ele repassará

Há como no ser
Um ar de família um ar de nada

A corrente de ares
vira as páginas
isso não faz um vinco
mas cinco

Só mais um momento
Senhor leitor
O tempo de uma palavra nua
Entre duas viradas

O que me canta
.......dobra-se
Aos calibres das cores



Traduçao de Paula Glenadel e Marcos Siscar

In. A rosa das línguas. São Paulo: Cosac Naify/Rio de Janeiro: 7Letras, 2004