quinta-feira, 28 de junho de 2012

Léon-Paul Fargue - Poema


QUIOSQUES


Em vão o mar faz a viagem
Do fundo do horizonte para beijar teus pés prudentes:
Tu os retiras
Sempre a tempo.

Calas-te, eu não digo nada.
Talvez nem pensemos mais nisso.
Mas os vaga-lumes pouco a pouco,
Sacam suas lanternas de bolso
Expressamente para fazer brilhar
Em teus olhos calmos essa lágrima
Que fui um dia obrigado a beber.
E o mar se torna bem salgado.

Depois, certa medusa ouro e azul,
Que quer instruir-se entristecendo-se,
Corta as lojas abarrotadas do mar,
Clara e nítida como um elevador,

E destouca sua lâmpada à flor d’água,
Para te ver, com uma sombrinha,
Chorando, representar na areia
Os três casos de igualdade dos triângulos.


Tradução de Carlos Drummond de Andrade

Imagem retirada da Internet: pés