quinta-feira, 21 de junho de 2012

Francisco Perna Filho - Poema



Ao longo desses anos,
     o que me disseram os homens



Apesar de seres tu,
não és, de certo, nenhum anjo,
alguém confiável,
pois bem sabes que a vida,
enrodilhada de homens esperançosos,
caminha a passos tardios e velozes,
inconcussamente para o adiante dos teus pés.

Bem sabes,
e de tanto saberes, é que te fazes compreensível,
já que as borboletas, no inverno, sempre vêm.
Arrastadas pela inocência do voo, transbordam
em fragilidades e, mesmo antes de alçarem o primeiro voo,
muitas delas ficam paralisadas na própria emoção
de serem insetos,
porquanto o céu, apesar de ser o limite,
tornar-se-á, sempre,
inatingível.

   (...)

In. As Mobílias da Tarde. Goiânia: Perna&Leite, 2006.
Imagem retirada da Internet: borboleta