quinta-feira, 17 de maio de 2012



Kosovo, 1999, Nesse ponto, um míssil atingiu um homem
KOSOVO


A dor da separação
castiga minh'alma.
A raça à qual pertenço
condena os meus passos.
A água que me dessedenta
congelou o meu grito.
Sirenes, explosões, desolação e mortes
eis o meu cardápio.
Que mal fiz aos adultos do mundo?
com cinco anos
e já participo das primeiras lições de ódio,
onde se urde, secretamente,
o desdém (DRESDEM) à raça humana.
Quisera ter nascido árvore,
sem clamor, sem dor,
sem família.
Quisera ter nascido lama
e, dessa forma, sem precisar
conviver com irmãos
apodrecendo em cativeiros da loucura humana.
Quisera ter nascido pedra
para não ter de ver
tantos corações empedernidos
por ideologias.
Quisera não ter nascido!
Deus meu,
clamo pelo colorido das praças,
pela mesa posta em família,
pelos clows nas tardes de Domingo.
Clamo por todos aqueles que se perderam
no labirinto e, cativados pelo minotauro,
foram seduzidos ao ódio de uma guerra,
uma guerra, uma guerra.
Estou com cinco anos:
a lua acaba de se apagar.





In.Refeição. Goiânia: Kelps, 2001, p.93-4.
Imagem retirada da Internet: Guerra do Kosovo