quinta-feira, 3 de maio de 2012

Brasigóis Felício - Poema


O TEMPO E OS OSSOS




Não sou nenhum mago
mágico ou médico de dementes
para saber das coisas do tempo
como sabem da morte e da vida,
intensamente,
        os que estão doentes.
Não sou nenhum idólatra
da solidão que rói meus ossos
e range e ruge como um bicho
        nos meus olhos
se uma estrada me espera
e no tempo são seis horas.

Não sou, não serei nunca um visionário
a não ser pobre advinho do meu transe
e um que sabe dos limites
e mesmo se entregando
não esqueceu jamais que é um corpo.

Por isso doem tanto os fins de tarde
as noites no início,
e as crianças sorrindo
uma hora antes de morrer.
Por isso. Só por isso me entrego
ao tumulto dos butecos
e de vez em quando me permito
passear dentro da noite,
          como um louco.

Imagem retirada da Internet: ampulheta