quinta-feira, 1 de março de 2012

Raul Bopp - Poema


Mãe Muiraquitã



Água soturna e morta...Erguem-se, à toa,
As velhas sombras dessa moradia.
É a alma tapuia a errar, no adeus do dia,
No ermo sem fim que a solidão povoa.


Quando a flor do luar desabotoa
Dentro da noite, na neblina fria,
A Mãe Muiraquitã paira, sombria,
Sobre a água encantada da lagoa.


Entre os juncais, um vulto verde treme...
Mas, nesta noite de pecado e glória,
As icamiabas nuas onde estão?


Dentro da selva imensa, a noite geme.
- É a alma da raça triste, sem história,
Que anda chorando pela solidão.


In.Versos Antigos
Imagem retirada da Internet: Mãe Muiraquitã