domingo, 5 de fevereiro de 2012

Francisco Perna Filho - Poema



Foto by Sinésio Dioliveira


Manhã de Pássaro


O trinar do pássaro,
ao adejar as asas,
ignora o céu
para contemplar o chão
e fruir da flor
o abissal perfume que o paralisa.

A flor ardente,
que brota da terra,
acostumada a pássaros
abre-se em oferendas,
para também como pássaro
desfrutar o céu.

O que une o pássaro à flor
e a flor ao pássaro
é o desejo de ser pássaro e flor,
de ser flor e pássaro,
de fruir do voo o perfume
e do perfume o voo
que os eterniza.