terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Elizabeth Barrett Browning - Poesia



SUBSTITUIÇÃO



Se uma adorada voz, que fora em vossa vida,
suavidade e som, de repente se esvai,
e se logo um silêncio impenetrável cai,
qual súbito mal-estar ou dor desconhecida,

- que esperança há? Que auxílio? E que música ouvida,
o silêncio destrói? Nem da amizade o ai -
nem da razão sutil a conta; não se vai
ao som de violino ou de flauta gemida;

nem canções de poeta e nem de rouxinóis,
a voz que vai subindo através dos ciprestes
até à clara lua; e medo lhe não causa

das esferas, o canto - ou dos anjos, nos sóis,
a voz que sobe a Deus; ó não, nenhuma destas!
Fala só Tu, ó Cristo, e preenche esta pausa.


Tradução: Alexandre Herculano de Carvalho


©Elizabeth Barrett Browning

Fonte: A Voz da Poesia
Imagem retirada da Internet: hope