sábado, 25 de fevereiro de 2012

Adélia Prado - Poema


O Homem Humano


Não fosse a esperança de que me aguardas com a mesa posta
O que seria de mim eu não sei.
Sem o Teu nome
A claridade do mundo não me hospeda,
É crua luz crestante sobre ais.
Eu necessito por detrás do sol
Do calor que não se põe e tem gerado meus sonhos,
Na mais fechada noite, fulgurantes lâmpadas.
Porque acima e abaixo e ao redor do que existe Permaneces,
Eu repouso meu rosto nesta areia
Contemplando as formigas,
Envelhecendo em paz
Como envelhece o que é de amoroso dono.
O mar é tão pequenino diante do que eu choraria se não fosses meu Pai.
Ó Deus, ainda assim não é sem temor que Te amo,
Nem sem medo.