domingo, 22 de janeiro de 2012

André Augusto Passari - Poeta


Madalena Hashimoto. Das Mil Faces, 136/150, cologravura

Ser poeta pra quê?



Quisera ser vários poetas ao mesmo tempo
Várias vozes, vários eus
E assim não saber quem se perdeu

Sentimentos maltratados, esquecidos e
por isso maltratados e tão merecidos

Ser mil faces e nenhuma
Desejos honestos? Ideais puros?
O que são essas coisas?

Escrever mil versos de mil sentimentos
E não sentir nenhum
Mas lembrar de todos de cada um
Com calafrios e arrependimentos

Mundo do meu desmundo
De um pedaço de mim que se perdeu
Onde foi que ficou o meu eu
Em qual buraco profundo?

Apenas um verso inútil
Trocar de camisa, pôr outro tênis
Assistir a outro filme, sentir-se firme
Trocar de perfume e de amigos

Apenas um verso inútil
Há tantos canais de tevê
Ser poeta pra quê?


In. Fragmentos do Tempo”, editora Artepaubrasil


Sobre o autor:
André Augusto Passari é Médico Psiquiatra e Escritor. Natural de Taguatinga - DF, mora em Ribeirão Preto.