sábado, 26 de novembro de 2011

Gerardo Melo Mourão - Poema


SIBILA
(Último oráculo)



Perdido nas veredas das palavras
tapa os ouvidos - canto sibilino
não escuta: olha apenas estes olhos
apaga teus sentidos - só nos olhos
acharás o caminho; sem meus olhos,
somente os meus - redondos neste rosto -
morrerás entre ínvios labirintos.

Sibila sou - Sibila, a Sâmia, a Délfica*
poetas e pontífices me seguem
olha meus olhos - não te perderás
olha meus olhos e estarás perdido
perdido neles morrerá de amor
e os que morrem de amor não morrem nunca
olha meus olhos - me verás inteira
em teus olhos de morto estarei viva
e minha vida espantará da tua
a morte para sempre - e para sempre
em tua vida há de viver a minha.


12/12/99


*Nota do autor: A última Sibila grega, chamada Sibila Sâmia, e também Sibila Délfica, pois viera de Samos e profetizava em Delfos, teve um longo encontro com em Roma, outro em Veroli, com o Papa Júlio III. A bela cabeça da Sibila, com seus olhos impressionantes, está na Capela Sistina.


In. Algumas Partituras. Rio de Janeiro: Topbooks, 2002, p.42.
Imagem retirada da Internet: Sibilia