sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Weder Soares dos Santos - Poema


Faísca de Buriti

    Poema dedicado ao amigo poeta Valdivino Braz

Deus menino
Abençoe os poetas,
seus cadernos e letras,
tempere rimas
com pimenta de cheiro.
Da acidez dos cantos
adoce uma estrofe pequenina
bem feita com nome de menino.
Sou faisca de asteroide,
Singela janela,
Na luz de meia estação.
Poeta maturado,
Sereno, maldade,
Saudades,
no lombo da liberdade.
Fui amigo da fome,
com ela me banqueteei
de nada.
Do nada,
bordei a pauta,
apontei os lapsos,
segurei o lápis,
e tirei do borralho
Braz as
que espalhei
pelos vãos
da terra partida,
perdida nos sonhos
de um menino,
faisca,
poema,
estradas
de outras esferas.
Segurei
na mão de Deus,
tapeei o capeta,
na sua cauda encardida
amarrei um cometa.
Escombros amarelos,
maça envenenada,
bruxa malvada,
herói sem capa,
ou espada
abrindo o Porteirão.
Deus mundo,
caduco,
nos cascos do tempo.
Lama, lima,
lâminas,
açoitando a pele.
Lá estão elas
as procelas encadernadas
capa, contracapa
anunciando a aurora bucólica.
Poeta de chapéu
bengala e bigodes.
A Infância ainda canta,
no embornal surrado,
no estranho de suas retinas:
meninas amadas,
no escuro das madrugadas.
Sobre a face das pedras
Tapiocangas.
Hoje saliva amadurecida,
versos menino,
vozes
Poeti(a)mando,
Permitindo eternidade.