quinta-feira, 26 de maio de 2011

Nelson Ascher - Poema


Hölderlin


para Antonio Medina Rodrigues



Luz não se vê tão límpida
quanto, inundando a casa,
aquela que extravasa
fugaz de qualquer lâmpada
que, de repente, exalte-
-se e atinja, por um átimo,
à beira do blecaute
mais último, seu ótimo.
Cega ao fulgor, a orelha
talvez capte de esguelha
um ultra-som que, esgar-
çador como um lamento,
provém do filamento
no afã de se queimar.
 



Imagem retirada da Internet: filamento
In. Jornal de Poesia