domingo, 10 de abril de 2011

Ronaldo Costa Fernandes - Poema


Lição de anatomia




Sou coisa.
Algo assemelhado a
lápis ou vela
que para existir se consome
esgrimindo garatujas ou se queimando
no fulgor das palavras ou na luz suicida
que ilumina enquanto se imola.

O bumbo dos solitários é o mesmo dos eufóricos
geme a mesma voz surda
no compasso do tempo das matrizes.

A tarde
com seu invólucro de nuvens
conspira com vozes na liturgia dos alvoroços.

A vida é um erro:
alguns chegam a ser sentenciados
                                     a oitenta anos de vida.






In. Andarilho, Rio, 7Letras, 2000)
Imagem retirada da Internet: vela