segunda-feira, 14 de março de 2011

Francisco Soares Feitosa - Poema


Foto by Gustavo Penteado

O que digo entre as flores?


Meus olhos se consomem pela tua promessa"
(Salmo 119, 82)
 
 
O resto foi travo e mel  
que não se disse mais nada —  
em um   
ali: 
rubro o tempo, as faces.
      — Seu Francisco — indagou, aflito,   mestre Antônio (vaqueiro): —  o senhor mandou matar todos os novilhos,  foi assim mesmo que entendi,   e botar a melhor veste nos caminhos?  — Como ficará então esta fazenda?  Sem os bois que morrerem,  o que digo entre as flores? 
Diga nada não, mestre Antônio,  
os novilhos ressurgirão  da terra,  
nos passos largos das minhas sandálias.
E os caminhos ficarão de perfume,  
diga nada não, mestre Antônio,  
que ela estava morta,  
as flores sabem, outra vez,  
agora vive.
 
                                 Salvador, mormaço da tarde, 13.03.96
 
Nota: 
O novilho: in Lucas, 15,23: 
Trazei o novilho cevado e matai-o; comamos e festejemos


In. Jornal de Poesia