quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Louise Labé - Poema


Soneto V




Vênus tão clara, pelo firmamento,
Escuta a voz que em queixas cantará,
Enquanto o rosto teu cintilará,
O seu cansaço e custoso tormento.

Meu olho vela em vigília a contento,
E ao te ver muito pranto verterá
Sobre meu leito mole, e o banhará,
Disso teus olhos têm conhecimento.

Pois são humanas as almas cansadas
Em seu repouso e sono apaixonadas.
Já não suporto o Sol e seu fulgor:

E quando estou quase toda desfeita,
E que meu corpo no leito se deita,
A noite toda eu choro minha dor.



Tradução de Felipe Fortuna



In. Louise Lambé: amor e loucura. São Paulo: Siciliano, 1995, p.178.
Imagem retirada da Internet: Afrodite