sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Sophia de Mello Breyner Andresen - Poema














A anémona dos dias





Aquele que profanou o mar

E que traiu o arco azul do tempo

Falou da sua vitória


Disse que tinha ultrapassado a lei

Falou da sua liberdade

Falou de si próprio como de um Messias


Porém eu vi no chão suja e calcada

A transparente anêmona dos dias.




In. No Tempo Dividido e Mar Novo, Edições Salamandra, 1985, p. 67

Fonte:Mulheres

Imagem retirada da Internet: Anémona