domingo, 12 de dezembro de 2010

Brasigóis Felício - Poema Manifesto

BOIÁS, O BERÇO ESPLÊNDIDO


1. Em Bóias é preciso que os artistas morram,

para serem vistos e tidos como vivos.


2. Vivos, os artistas não têm valor algum:

são seres de menos valia.


3. Para que despertem do olvido em que vivem,

é preciso que saiam do mundo dos vivos.


4. Sobrevivem e vencem apenas os que,

em vez de se apoiarem no poder da cultura,

vivem encostados na cultura do poder.


5. Vivo, não existo e não sou visto.

Uma vez no oblívio, serei lembrado

pelos outros mortos vivos.


6. Se recordassem que logo estarão mortos,

certos poetinhas e poetastros não falariam tão alto.

“Daqui da terra ninguém sai vivo”.


7. Certos proscênios de artistas

fedem mais do que prostíbulos.


8. No mercado onde tudo se compra e se vende

só os artífices da palavra não têm valor.

Talvez porque os poetas tenhas se tornado invendáveis

porque não estão para se vender.


9.Para as leis de incentivo à cultura

os políticos são o primeiro setor:

os artistas são o último.