sábado, 7 de agosto de 2010

Gilberto Mendonça Teles - Poema




A SINTAXE


Tecido


O texto tem sua face
de avesso na superfície:
é dia e noite, sintaxe
do que se pensa, ou se disse.

Tudo no texto é disfarce,
ritual de voz e artifício,
como se tudo falasse
por si mesmo, na planície.

Seja por dentro ou por fora,
seja de lado ou durante,
o texto é sempre demora:

o descompasso da escrita
e da leitura no grande
intervalo dos sentidos.



In.Teologia de Bolso. Goiânia: PUC Goiás/Kelps, 2009, p. 43-44.
Imagem retirada da |Internet: máquina de escrever