domingo, 8 de agosto de 2010

Francisco Perna Filho - crônica



Do Meu Caminhar


Os pais são sempre os filhos refletidos, se não na aparência, ao menos na vontade na doce vontade de perpetuação. Os pais nunca morrem, partem para uma outra dimensão que não conhecemos, apenas imaginamos e torcemos para que o voo seja pleno de encantamento.


Quem poderá dizer mais de mim do que os traços que trago da minha ancestralidade? Cada passo, cada olhar, um semblante às vezes esmaecido pelo sentimento do mundo, tudo comporta um traço de quem a mim deu o muito do meu caminhar.


O meu pai é puro fluxo das longínquas corridas deste rio Tocantins, parte também dos meus antepassados. Do grito de tantos outros gritos da minha descendência. Meu pai foi o responsável por parte da minha ousadia, da minha predileção pelas letras, do meu entusiasmo pelo mundo e pela coragem que tenho trazido para romper difíceis dias de abandono.


"O homem precisa ser ousado” Era assim que ele dizia, mas a sua ousadia não poderia prescindir do caráter, da ética, do respeito ao próximo, da sabedoria que só os mais velhos e o tempo trazem. Ele me ensinou que o trabalho dignifica, a solidariedade fortalece, o amor nos encoraja e nos conduz.


Meu pai está escrito nos portais de cada casa, de cada árvore, de cada rua desta nossa Miracema. Ele está no correntinho, na Vitamina, no banho do rio, na Caridade, no Ouro Verde, na feira, no bolo de arroz, no vinho de caju, no licor de casca de laranja, nas missas de domingo, nos remédios caseiros, nos carnavais. No meu pai está a nossa indelével alegria. Nele estamos nós.

Com ele se vão o nosso imenso amor e nossa eterna gratidão, conosco fica a sua perpetuação na grandeza de espírito e o imenso azul dos seus olhos.