segunda-feira, 5 de abril de 2010

Valdivino Braz - Poema












Chão de ausências

O vento varreu os rastros
e apagou deste lugar os sinais
da nossa presença.
Sou estranho nesta terra, minha mãe,
e piso um chão de ausências.

Arrancaram-me as raízes
e as curicacas, meu pai,
e não sei dos meninos meus irmãos,
soltos no mundo,
feitos filhos de ninguém.

Entre os esteios da casa desmoronada,
vasculho e recolho de tempo vestígios
- quase nada - das origens
e do que fomos outrora,
neste solo sáfaro
de nós.

Só escombros, minha mãe,
e a solidão
das macaúbas.


In. A palavra por desígnio.
Imagem retirada da Internet: Perdida