quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

José Inácio Vieira de Melo - Poema








Para Remedios Varo









SETE IRMÃS


Essas sete musas mal-assombradas
de cabeleiras ruivas, encardidas,
são tantas de bocetas encarnadas,
trazem entre as mãos minhas sete vidas

As cabeleiras ruivas dessas musas
são trepadeiras místicas em rito,
um anelo claro como um oráculo
a escalar as formas breves do mito.

São sete noites vividas por Borges,
são sete fadas da ilha de Lesbos,
são sete acordes de Joaquin Rodrigo,
são sete facas de Aderaldo, o Cego.

Ah minhas sete irmãs, filha de Safo,
lamber vossos cus é meu paraíso!
A plenituide de vossas entranhas
é o aconchego destes meus delírios.

Sete musas grávidas, musas graves,
a gravidade não pesa no abrigo.
A minha voz é um caminho cego
como Borges, Aderaldo e Rodrigo.

Ah minhas sete irmãzinhas serenas,
vamos jogar enquanto há tabuleiro,
sete damas-rainhas, sete Helenas,
sou vosso servo, vosso cavaleiro.

Musas oblongas, ventre salientes
em vossas carnes quentes eu reparo,
de forma a fora, com prazer encanto,
as sete faces de Remedios Varo.


Poema do livro inédito ROSEIRAL, a ser publicado pela Escrituras Editora, com lançamento marcado para março.


Imagem - Marc Chagall - Auto-Retrato com Sete Dedos,1912.