sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Memórias - Por Francisco Perna Filho




Francisco Perna Filho









O POETA E A CIDADE - MEMÓRIAS



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Na década de oitenta, mudei-me para Goiânia. Cheguei lá, em 1981, e fui morar na Rua 03 com Assis Chateaubriand, no Setor Oeste, vizinho da Praça Tamandaré: a explosão jovem daquele tempo. O Setor Oeste era um Bairro Nobre, e continua sendo, mas trazia a doçura de uma cidade pequena, o encanto de suas praças, a tranquilidade de suas ruas, ainda com poucos edifícios. O Fórum e o Palácio da justiça eram apenas armações de concreto, seres do abandono. Bairros como o Jardim América começavam a despontar. Nova Suíça, timidamente se escondia para lá da 85, só depois, com a abertura da T-63, é que ganhou ares de nobreza.

O tempo passou, nasceu o Flamboyant: uma revolução arquitetônica e conceitual. A cidade já não era a mesma, começava tomar feição de uma cidade do mundo. Bem mais tarde vieram os outros shoppings, enquanto isso, os bares fervilhavam de gente: D. Quixote, Beb’s, Jotas, Trem Azul, Flor da Pele, na Assis Chateubriand, com o canto de Gilberto Correia e a voz e o toque preciso dos violões do Valtinho e do João Bolívar. O velho Trem Azul, sem falar na Praça da Cirrose, palco de boêmios e paqueras, com destaque para o Bar do Seu Marconi: o Canindé, com seus vendedores de rosas e amendoins, com as curvas modernas das moças e das cervejas, geladas em pé, nos 16 freezers incansáveis. Andando um pouquinho mais, podia-se ouvir a flauta afinada de Gilson Mundin, e, à noite, já bem mais leve, um encontro marcado no Latidude 2000, embalado pela voz do Pádua.

Aquele foi um tempo maravilhoso. De lá para cá, muita coisa mudou, a cidade tomou um ar de Grande Cidade, foi absorvida pelo progresso, pela cobiça. Perdeu a inocência e deixou-se seduzir pelos que vinham de fora e prometiam transformá-la em um lugar mais aprazível. Prometeram urbanizá-la e, por pouco, não a destruíram.

continua amanhã



Goiânia: vista noturna. Imagem retirada da Internet.