domingo, 20 de setembro de 2009

Carlos Drummond de Andrade - Poema



Carlos Drummond de Andrade







Congresso Internacional do Medo





Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que estereliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.


In.Sentimento do mundo. 2ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2002, p.35.
Imagem: Flor Amarela. by ovendedordefloreshttp://s498.photobucket.com/albums/rr343/ovendedordeflores/