sábado, 11 de julho de 2009

RUAS DE DOMINGO


Francisco Perna Filho













Ruas em movimento:

arredondadas, ovais, curvas

como os carros que comportam.

Por serem ruas, vias, caminhos

transportam o cheiro salobro do desencanto;

A fúria magenta da depressão,

o desejo compacto das virgens.

A carne das ruas é de metal pesado,

composta em vírgulas e interrogações,

Mal-passada, às vezes;

esturricada, outras,

mas sempre rua.

Olhando-as de cima, parecem riscos.

De baixo, rios infindáveis,

transportando almas.

As ruas suam ao meio-dia,

são turvas ao anoitecer,

são curvas na madrugadas,

e morrem a cada domingo,

a cada feriado,

trespassadas por si mesmas.



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