domingo, 21 de junho de 2009

CHUVA NOTURNA


Francisco Perna Filho










Venham ver, meus filhos,

a hora da chuva,

o doce bater dos pingos na grama escura.

Sintam o cheiro líquido

se derramando

sobre os nossos olhos.

Não pensem em mais nada, meus filhos,

apenas olhem,

olhem e vejam,

celebrem a noite, também líquida,

se desmanchando em chuva, também noite.

Daqui a pouco,

os pássaros virão,

e pousados nas antenas de tv

anunciarão o novo dia em cantos.

Antecipemo-nos a eles,

cantemos com a chuva,

com a noite.

Os pássaros se repetem todos os dias,

a despeito das imagens e das Atenas.

A chuva noturna, não,

assim como a poesia,

apesar dos sons que produz,

é puro silenciar.

É preciso saber ouvi-la.


Foto by Francisco Perna Filho - Buenos Aires, junho de 2009